sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Memórias auditivas / Hearing memories



Continuando minha série de memórias sensoriais, aqui vai o que eu ouvi, e olha que só escuto de um dos ouvidos.
Ouvi muitas línguas diferentes, francês, espanhol, italiano, árabe, não só porque viajei, mas porque em Londres se ouve de tudo, aprendi até que a língua que se fala no Paquistão é Urdu, e ouvi algumas palavras. Escutei galês, escocês, japonês, chinês, tailandês, polonês, tcheco, hindi... Isso sem contar os diferentes sotaques de inglês e de português, de Portugal e o brasileiro, porque tem brasileiro em todo canto.
A palavra que mais ouvi, sem dúvida, foi “sorry”.
Ouvi o som dos corvos pela manhã, quase achei que estava dentro do “Game of Thrones”.
Escutei a Helena falando inglês perfeitamente com a amiga no telefone e me emocionei.
Me emocionei todas as vezes em que ela se apresentou cantando na escola, também ouvi ela tocar violão.
Ouvi “mommy” muitas vezes...
“Mind the gap” e o som dos passos sem conversas nas escadas do metrô pela manhã foram minhas audições solitárias especiais.
Ouvi visitas guiadas no British Museum, o áudio guide na National Gallery e em Stonehenge. Ouvi com atenção os educadores do Museu de Londres nas visitas que observei.
Ouvi o som do silêncio nos momentos de estudo e de música “new age” para concentrar no trabalho.
Ouvi alguns amigos do Brasil pelo skype e escutei muito inglês com minhas amigas aprendizes do idioma.
Uma imagem que possa sintetizar as minhas memórias auditivas, difícil... Talvez essa, quando ouvi como os japoneses falam "xiiiis" na hora da foto: "one plus one is: niiiii".




Translate:

Continuing my series of sensory memories, here's what I heard, and, look, I hear only by one of my ears.
I have heard different languages, French, Spanish, Italian, Arabic, because not only I travelled, but because in London you hear everything, I learned the language spoken in Pakistan is Urdu, and hear a few words. I listened Welsh, Scottish, Japanese, Chinese, Thai, Polish, Czech, Hindi... Not to mention the different accents of English and Portuguese, Portuguese people and Brazilian, because there is Brazilian people everywhere.
The word I heard most certainly was "sorry".
I heard the sound of crows in the morning, almost thought I was in the "Game of Thrones".
I heard when Helena was speaking English perfectly with her friend on the phone and I was touched.
I was touched also every time she performed singing in school, and when I heard her play guitar.
I heard "mommy" often ...
"Mind the gap" and the sound of the footsteps without conversations on the underground stairs in the morning were my special hearings.
I heard guided visits in the British Museum, the audio guide at the National Gallery and Stonehenge. I listened carefully educators from the Museum of London in the visits that I observed.
I heard the sound of silence in moments of study and music "new age" to concentrate on work.
I heard some friends from Brazil by skype and listened a lot with my English language friends. An image that can synthesize my hearing memories, it’s difficult... Maybe this when I heard how Japanese speak "xiiis" photo to: "one plus one is niiii".


 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Memórias táteis / Tactile memories


A uma semana do retorno ao Brasil resolvi trazer algumas memórias desse ano numa série de textos sobre o cinco sentidos, ou seja, o que os meus sentidos se lembram desse tempo, assim, sem pensar muito, na ordem das lembranças sensoriais que, no meu caso, não estão cronologicamente organizadas...
 
Toquei as paredes da Catedral de Santiago de Compostela, e as ruínas de Herculano e Pompeia. Com os pés descalços senti as areias de praias do lado leste do Atlântico, do Canal da Mancha e do Mediterrâneo, bem como ventos e brisas, não só dessas praias, mas de muitos outros lugares. Também senti a grama sob meus pés nos parques londrinos. Senti frio, muito frio no inverno, mas calor no verão.

Toquei alguns objetos históricos do Museum of London, calma, não toquei nas obras, e sim em objetos utilizados nas atividades educativas que pude observar.

Também pude tocar em todas as possibilidades táteis dos museus que visitei.

Toquei novos amigos, não como no Brasil obviamente, mas pude cumprimentar com apertos de mãos e, alguns, até abraços singelos.

Abraços, muitos na minha filha, minha melhor amiga nesse tempo de saudades dos amigos, enxuguei suas lágrimas algumas vezes também, bem como senti suas mãos no meu rosto quando precisei chorar.

Toquei o teclado do meu computador todos os dias para trabalhar e/ou sentir a presença dos amigos distantes.

Folheei muitos livros na British Library, toquei muitas pints de cerveja, que aqui não são assim tão geladas...
Segurei a câmera fotográfica como nunca e se fosse resumir minha experiência tátil numa imagem... ai que difícil, podem ser duas? 



Translate:

One week from my returning to Brazil I decided to bring some memories of that year in a few texts about the five senses, or what my senses remember that time, so without thinking too much, in order of sensory memories, in my case, they are not organized chronologically ...

Touch
I touched the walls of the Cathedral of Santiago de Compostela, and the ruins of Herculaneum and Pompeii. With my barefeet I felt the sands of beaches on the east side of the Atlantic, the Channel and the Mediterranean, as well as winds and breezes, not only of these beaches, but many other places. I also felt the grass under my feet in London's parks. I felt cold, very cold in winter, but summer heat.
I touched in some historical objects from Museum of London, keep calm, I did not touch the heritage, but in objects used in educational activities that I observed.
Also I could touch all the tactile possibilities of the museums I have visited.
I touched new friends, obviously not as in Brazil, but I could greet with handshakes and some, even simple ones hugs.
Hugs, many in my daughter, my best friend this time of miss the friends, wiped her tears a few times too, and I felt his hands on my face when I needed to cry.
I touched the keyboard of my computer every day for work and/or to can feel the presence of my distant friends.
I flipped through many books in the British Library, touched many pints of beer, which are not so cold here ...
I held the camera as never before and if it were to summarize my tactile experience in an image... it’s so difficult, could be two?



quinta-feira, 12 de junho de 2014

De repente, Serpentine Gallery, 11 de junho de 2014



De repente entramos, carimbaram a nossa mão, eu nem liguei, nem li o que estava escrito, suspeitando que era uma forma de ingresso da galeria.

Daí, tudo muito silencioso, lemos um pouco do texto de parede, a Julia disse: ela está aí, Val!!!. Tinha uma instrução dizendo para deixarmos bolsas e casacos em uns armários – casaco não tínhamos, pois o dia estava quente, ensolarado e lindo, a galeria fica dentro de um parque, só pra constar.

Entramos na sala, sim, ela estava lá, com assistentes, comecei a perceber, mas vou chamar a todos de artistas, essa foi minha primeira leitura. Algumas pessoas paradas com os olhos fechados, outras com os olhos bem abertos (estas, talvez, eu possa chamar de público), algumas sentadas, outras em pé, outras, poucas, caminhando.

Os artistas iam solicitando pessoas do público para irem a outros espaços das 3 salas. De repente, falei: preciso ler o texto de parede de novo, inteiro, com calma. Fui, li, era aquilo mesmo. Aquilo mesmo que eu já estava lendo da obra, uma proposta de contato, corpos e sensações. Li o carimbo na minha mão, nome da obra e data, seria eu espectadora com os olhos abertos, público então?  

              
Voltamos à sala, caminhei, parei, de repente uma artista me paga pela mão, dedos entrelaçado, caminhamos até outra sala, me sentei numa cadeira, ela pediu que eu fechasse os olhos e ficasse, disse mais alguma outra coisa, bem baixinho, em inglês, não entendi direito. Ela meio que massageou meus ombros, como se me modelasse. 

Sentada, de olhos fechados, de costas para o público, então, de repente, eu era objeto de museu, melhor dizendo, parte de uma obra num museu de arte. Não de uma National Gallery, mas de um museu meio vazio, pois no silêncio, eu ouvia passos, palavras ao longe, respirações...

Depois de uma mistura de emoções e sensações, pensei de novo no carimbo na minha mão, como antigamente os objetos recebiam um número de tombo ou catalogação neles mesmos, pensei nas estátuas vivas de rua, agora, escrevendo esse texto me lembrei do trabalho do Spencer Tunick que participei, também esculturas de corpos, só que de outra forma, como diferentes artistas podem com a mesma matéria esculpir formas diferentes: mármore, argila, pedra sabão e corpos.

Aí, nada mais foi de repente, observei com o olhar antes, agora eu observava com a audição, quando me levantei, perfeita sintonia, eu acho, percebi que os artistas estavam pedindo para a obra ir se desfazendo, por assim dizer, a galeria iria fechar. 

Ah, o trabalho era 512 hours, de Marina Abromivic.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

10 years old!!!!




Another day you told me we aren't a normal family. I know, you mean, it's not we are not normal but we aren't like the most families... Ok, maybe it's truth, but I think that, sometimes, I'm a normal mother, I always to say:
Do this
Don't do that
Take a coat
Take an umbrella
Respect all people
Be respected by all
Eat a fruit
Don't eat much junk
I love you
I love you much more
 


You've been so little girl...


Now so big girl, so my friend, so partner!
10 years ago I did not know it would be the greatest adventure of my life.
I love you, happy birthday!

10 anos!!!!



Outro dia você disse que não somos uma família normal. Eu sei, você disse, não que não somos normais, mas não somos iguais a maioria das famílias... Bom, talvez seja verdade, mas acho que às vezes sou uma mãe normal, eu sempre vou dizer:
Faça isso
Não faça aquilo
Pega uma blusa
Leve um guarda-chuva
Respeite todos
Seja respeitada por todos
Come uma fruta
Não come muita porcaria
Eu te amo
Eu te amo muito mais




Você já foi tão pequenina!!!


Agora tão grande, tão minha amiga, tão companheira!!!
10 anos atrás não sabia que essa seria a maior aventura de todas.
Te amo, feliz aniversário!!!