Senti o estômago embrulhar. Era como se tudo girasse de repente, o céu não estava mais sobre o topo da minha cabeça. Sabe, onde nascem os cabelos? Não que eu ainda os tenha em grande quantidade. Ah, essa calvície genética, sempre me dão mais idade do que eu tenho, pois as "entradas" fazem com que eu aparente ser mais velho.
Aliás, por falar em aparência, o que eu aparentaria agora? Será que repararam? Notaram a zonzeira que me deu? Todos? Sim, porque não lhe disse antes, estou bem no centro da cidade, naquela região onde as ruas são apenas para os pedestres, não circulam carros, ou seja, as pessoas têm tempo para notar certos acontecimentos, contratempos e acidentes.
E eu nesse estado! Estariam zombando? Preocupados? Será que esse potencial tempo dos que trafegam a pé ainda existe numa cidade tão grande? Ou será que o tempo dos que estão nos carros, presos nos congestionamentos se alargou tanto que, paradoxalmente, esses sim podem perceber o que se passa ao redor? Talvez tivessem me notado. Sim, porque não lhe disse antes, mas é hora do "rush", ou seja, tem muita gente na rua.
E essa rua é suja, pense bem, centro de uma grande cidade, no fim de tarde, garoando... Sim, porque também não lhe disse antes, tinha chovido há algum tempo, mas agora, somente com a garoa, muitos se atrevem a andar por aí sem guarda-chuva, muitos...
Ouvi algumas vozes, continuava enjoado como num brinquedo de parque de diversões que roda, gira e roda sem você poder controlar. Realmente, não fora a primeira vez que isto me aconteceu.
Meus amigos haviam me avisado: "olhe por onde anda", "olhe por onde pisa" e agora isso, via o céu de frente e via... via os meus pés!
Pois é, eu realmente deveria ter visto por onde eu pisava e não ter corrido por causa da garoa, o escorregão foi cinematográfico, você pode até imaginar, com meu um metro e novente e calçados 46.
"É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito o que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar" (J. R. R. Tolkien)
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sábado, 10 de janeiro de 2009
Ideias
Sou do tempo do 2o. Grau Técnico, quando a CEFET era ETFSP, ou seja, Escola Técnica Federal de SP, tinha vestibulinho, nem sei se ainda tem, e o colegial durava quatro anos, aulas de segunda a sábado.
Fiz cursinho pra entrar na Federal, ela era meio a USP do Ensino Médio, e é do cursinho que me veio a lembrança de um professor e da aula de acentuação.
O nome dele era Raimundo, deve ter morrido já, ele era bem idoso em 1986...
Lembro de um dia, no início da aula, ele dizer: fechem o caderno, não anotem nada, eu vou dar uma aula sobre acentuação, uma única regra, e vocês nunca mais vão errar.
Pois foi dito e feito, não me lembro de nada do que ele disse depois, só bem do comecinho: "pá, pé e pó", ele disse... Não sei as regras de acentuação que estão nas gramáticas, mas nunca mais errei ou tive dúvidas de como acentuar palavras.
Pois é, não que eu ache ruim as novas regras da ortografia, na verdade até achei legal, o problema é que uma de minhas melhores habilidades foi completamente arrasada... Fiquei até sem idéias, ou melhor, ideias para escrever...
Professor Raimundo, como faria sua aula agora? Pá, pé e pó ainda levam acentos?
Fiz cursinho pra entrar na Federal, ela era meio a USP do Ensino Médio, e é do cursinho que me veio a lembrança de um professor e da aula de acentuação.
O nome dele era Raimundo, deve ter morrido já, ele era bem idoso em 1986...
Lembro de um dia, no início da aula, ele dizer: fechem o caderno, não anotem nada, eu vou dar uma aula sobre acentuação, uma única regra, e vocês nunca mais vão errar.
Pois foi dito e feito, não me lembro de nada do que ele disse depois, só bem do comecinho: "pá, pé e pó", ele disse... Não sei as regras de acentuação que estão nas gramáticas, mas nunca mais errei ou tive dúvidas de como acentuar palavras.
Pois é, não que eu ache ruim as novas regras da ortografia, na verdade até achei legal, o problema é que uma de minhas melhores habilidades foi completamente arrasada... Fiquei até sem idéias, ou melhor, ideias para escrever...
Professor Raimundo, como faria sua aula agora? Pá, pé e pó ainda levam acentos?
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Os deuses criaram a mulher e o macaco...
Hoje, dia 18/11/2008, absolutamente do nada, a Helena me pergunta: como que apareceram as pessoas no mundo?
Eu: Ahn? como assim?
Helena: É, porque antes não tinha pessoas.
Eu: Quem te falou isso?
H: Ninguém. Mas é isso não é?
Eu: Como você sabe?
H: Não sei, só sei que eu sei.
Eu: Bom, você pode pensar nisso de muitas formas: pode acreditar que foi Deus que criou o homem, ou os deuses, ou que as pessoas viviam no céu e desceram para a terra (lembrei de um mito dos índios Kaiapó), além disso, alguns cientistas dizem que há muito, muito tempo atrás tinha um macaquinho que foi se transformando, alguns viraram o macaco como a gente conhece hoje e outros se transformaram no homem, e na mulher.
H: Mas como o macaco se transformou?
Eu pergunto a você leitor, como você explicaria a teoria darwinista para uma criança de 4 anos???
Então eu disse que era muito complicado para ela entender isso ainda, que quando ela crescesse ela iria estudar o assunto e entender melhor, eu mesma fui entender com meus 20 e poucos anos.
De forma que, para encerrar o assunto, ela disse: Tá, tá, para tudo, já sei, os deuses criaram a mulher e o macaco criou o homem.
Isso, definitivamente, deve querer dizer alguma coisa.
Eu: Ahn? como assim?
Helena: É, porque antes não tinha pessoas.
Eu: Quem te falou isso?
H: Ninguém. Mas é isso não é?
Eu: Como você sabe?
H: Não sei, só sei que eu sei.
Eu: Bom, você pode pensar nisso de muitas formas: pode acreditar que foi Deus que criou o homem, ou os deuses, ou que as pessoas viviam no céu e desceram para a terra (lembrei de um mito dos índios Kaiapó), além disso, alguns cientistas dizem que há muito, muito tempo atrás tinha um macaquinho que foi se transformando, alguns viraram o macaco como a gente conhece hoje e outros se transformaram no homem, e na mulher.
H: Mas como o macaco se transformou?
Eu pergunto a você leitor, como você explicaria a teoria darwinista para uma criança de 4 anos???
Então eu disse que era muito complicado para ela entender isso ainda, que quando ela crescesse ela iria estudar o assunto e entender melhor, eu mesma fui entender com meus 20 e poucos anos.
De forma que, para encerrar o assunto, ela disse: Tá, tá, para tudo, já sei, os deuses criaram a mulher e o macaco criou o homem.
Isso, definitivamente, deve querer dizer alguma coisa.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
As fases...
sexta-feira, 4 de julho de 2008
PALAVRAS...
Às vezes faço uma brincadeira com a Helena de pegar o dicionário e ela fala qualquer palavra e eu leio o significado para ela. Fiz isso uma vez e ela gostou, agora ela mesma pega o dicionário e me pede para brincar.
Ontem, nós estávamos brincando assim e algo me trouxe uma lembrança, a de quando eu estava aprendendo a escrever e minha mãe me ensinou a usar o dicionário.
Nós tínhamos em casa uma enciclopédia, a Baden, e minha mãe me mostrou que a palavra no canto superior esquerdo era a primeira da página e a do canto superior direito, a última palavra da página, então era fácil seguir a ordem alfabética. Minha mãe me ensinou isto quando eu tinha dúvidas sobre significados de palavras que eu ouvia na televisão, que eu lia nos livros, que eu encontrava no meio da lição de casa...
E, pensando na brincadeira que eu faço com minha filha e nestas lembranças, me ocorreu uma ciranda de palavras.
Palavras, os seus significados podem dizer tanta coisa ou não dependendo de quem lê ou ouve. Se a Helena me pede para ler "carro", veículo para transportar pessoas ou carga é compreensível, embora a pergunta "o que é carga" seja inevitável, vagão de trem, faz-se entender, mas parte móvel de uma máquina de escrever na qual se introduz o papel, meu deus? máquina de escrever? escrever o que? palavras? palavras!
Ontem, nós estávamos brincando assim e algo me trouxe uma lembrança, a de quando eu estava aprendendo a escrever e minha mãe me ensinou a usar o dicionário.
Nós tínhamos em casa uma enciclopédia, a Baden, e minha mãe me mostrou que a palavra no canto superior esquerdo era a primeira da página e a do canto superior direito, a última palavra da página, então era fácil seguir a ordem alfabética. Minha mãe me ensinou isto quando eu tinha dúvidas sobre significados de palavras que eu ouvia na televisão, que eu lia nos livros, que eu encontrava no meio da lição de casa...
E, pensando na brincadeira que eu faço com minha filha e nestas lembranças, me ocorreu uma ciranda de palavras.
Palavras, os seus significados podem dizer tanta coisa ou não dependendo de quem lê ou ouve. Se a Helena me pede para ler "carro", veículo para transportar pessoas ou carga é compreensível, embora a pergunta "o que é carga" seja inevitável, vagão de trem, faz-se entender, mas parte móvel de uma máquina de escrever na qual se introduz o papel, meu deus? máquina de escrever? escrever o que? palavras? palavras!
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